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O príncipe árabe e o ponto de vista

domingo, 18 de agosto de 2019


Dois homens chegam a fase final em uma concorrência por um emprego milionário. A vaga por tal emprego dos sonhos era oferecida somente uma vez por ano, por um príncipe árabe, multibilionário. O príncipe, no entanto, tinha um problema: não havia nenhum critério de desempate para os dois finalistas. Haviam igualmente passado em todos os testes, e tinham as mesmas capacidades técnicas.

O príncipe então isola cada um em uma sala, e vai falar com cada um separadamente. Para cada um deles, o príncipe diz que o outro concorrente havia sido melhor na última etapa. E que, portanto, havia ganhado a vaga de emprego. Após a notícia, ele pedia para que o entrevistado descrevesse o que exatamente passou pela cabeça ao receber tal notícia.

O primeiro entrevistado disse que passou pela cabeça o sentimento de derrota. De que tinha falhado. E de tristeza por não ter conseguido o que tanto queria. O segundo entrevistado disse que passou pela cabeça que a única etapa onde ele não foi bem, agora ele já sabia bem qual era, pois, o príncipe tinha dito.  E de posse de tal conhecimento, não conseguir o emprego no ano seguinte seria inevitável.

O primeiro homem foi dispensado, e o segundo imediatamente contratado. Eles tinham a mesma idade, as mesmas capacidades técnicas, o mesmo estudo, a mesma oportunidade, e ao final, tinham o mesmo problema. A única diferença é que onde um viu derrota, outro viu oportunidade. 

A forma como vemos as coisas, e atribuímos significado a elas, fazem total diferença. Qual dos dois entrevistados você tem sido diariamente?

Até que ponto conhecemos as pessoas que estão a nossa volta?

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019


No dia a dia, é comum classificar pessoas como conhecidas ou não. Mas será que realmente conhecemos aqueles que convencionamos como conhecidos? Conhecemos seus gostos por músicas, leituras e comidas? Conhecemos seus planos, projetos e sonhos? Conhecemos seus medos, suas lágrimas e suas dores?

É triste perceber que a vida passa tão rápido e, nos enganamos em acreditar que conhecemos aqueles que estão a nossa volta. Na maior parte do tempo, vivemos de conversas superficiais e cotidianas. Temos medo de nos abrir um com o outro. Medo de falar sobre aquilo que realmente nos é importante, e expor o que realmente somos. E assim vamos ficando sós em meio à multidão. Na matemática da vida, onde dividir torna-se somar, tenha sempre por perto um bom amigo, com quem possa dividir sua essência

Quanto você paga para que as pessoas gostem de você?


Quanto você paga para que as pessoas gostem de você? Quando se faz essa pergunta, a primeira coisa que vem em mente são os bens extrínsecos como forma de pagamento. Mas nem todo mundo gosta de nós pelo que temos. Nem todos se deixam comprar pelo dinheiro e por bens materiais. Na melhor das hipóteses, gostam de nós pelo que somos. Mas desse ponto de vista, até onde você tem sido verdadeiramente autentico? E até onde tem deixado de ser quem realmente é para conquistar afeto?

Se eu soubesse que era a última vez



Se eu soubesse que era a última vez, teria dito menos
Dito menos palavras duras, feito menos reclamações
Se eu soubesse que era a última vez, teria dito mais
Dito mais palavras de amor, feito mais elogios
Se eu soubesse que era a última vez, teria dito o que estava aqui dentro
Dito aquilo que realmente sentia, mas que acabei sufocando
Se eu soubesse que era a última vez, talvez nem diria nada
Talvez teria apenas aproveitado mais cada segundo a seu lado
Talvez eu tivesse contemplado mais as estrelas,
Talvez eu tivesse desfrutado mais dos lugares por onde andei
Talvez, e apenas talvez, se eu soubesse que era a última vez...



Sabe quando a campainha toca?



                Sabe quando a campainha toca, mas você não quer atender? Tudo que Fernanda queria era ficar sossegada, sem ter que fazer sala para ninguém. Era domingo, e o esposo havia ido ao mercado fazer algumas compras. A campainha tocou, e Fernanda correu para câmera, para ver quem era.
                — Mas o que eles querem aqui, hein? Oito da manhã de domingo? — Esbravejou para si, enquanto pensava se atenderia ou não o casal de amigos.
                — Ah, mas vai chamar até amanhã. Não vou atender. Gente sem noção.
                O casal chamou durante longos minutos. Era do tipo insistente. Ainda mais que Henrique havia ouvido o som da TV, que Fernanda desligou rapidamente ao tocar da campainha.
                — Vamos embora meu amor, voltamos outra hora. Devem ter saído — disse Débora para seu esposo, tentando dissuadi-lo a ir embora. Mas ele não se dava por vencido.
                — Mas é claro que estão aí. Você não ouviu o barulho da TV, Débora? E logo desligou. Não querem é atender.
                — Que abusados — falou Fernanda, bem baixinho e perplexa.
Fernanda foi até a cozinha desligar a outra TV, e enquanto voltava para sala, para continuar espionando pela câmera o insistente casal, foi surpreendida pela voz de Eduardo. Ele havia chegado do mercado e já estava entrando com o casal.
                — Misericórdia. E agora? O que falo? O que faço? Bateram por tanto tempo, não sei que desculpa dar.
                Sem muito tempo para pensar, Fernanda correu e se escondeu no banheiro.
                — Como vocês estão? Tão chamando há muito tempo?
                — Bastante tempo — disse Henrique — Onde está a Fernanda?
                — Eu não sei. Provavelmente foi até a casa da mãe dela.
                Vinte minutos de conversa se passaram, Fernanda já estava entediada por ficar lá escondida, quando veio a frase assustadora de Henrique:
                — Eduardo, posso usar seu banheiro?
                — Claro!
                Fernanda apavorou-se, não sabia mais o que fazer. Pensou passar-se por desmaiada, chegou a deitar no chão do banheiro, quando ouviu o esposo dizer:
                — Henrique, quase me esqueço. Esse banheiro está com problemas. Use o de meu quarto.
                Fernanda foi salva pelo esposo, que vendo seu chinelo na porta e sua chave pendurada, supôs o que estava acontecendo. 

 
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